Miriam Tolpolar dá continuidade ao seu projeto artístico nos apresentando um novo trabalho na Redenção: obra para todo público passante e obra para o público também casual. Falando da finitude, dos marcos de lembranças, da memória que deve ser preservada, Miriam opta por abrir o alcance de seu trabalho apresentando-o, com a mesma técnica e os mesmos procedimentos, num parque. Uma intervenção rápida, como rápidas são todas as coisas do mundo. Essas vinte e seis marcas, cravadas nos gramados da Redenção, certamente provocarão uma interrogação no público freqüentador ou passante: do que se trata, o que significa, quem fez e porque fez? Muito bom provocar interrogações num momento de apatia e desinteresse pelas coisas fundamentais como a memória, a lembrança, a reminiscência, a homenagem. Mas o que falar destes tocos de madeira recobertos de tecidos impressos? Ocorre-me agora o coro dos peregrinos, da última cena do Tannhäuser, que canta o milagre da floração do cajado papal: um pedaço de madeira seco e aparentemente estéril que subitamente, pela força do amor, refloresce. Mais do que nunca é fundamental mostrar para avivar a lembrança evitando o esquecimento. A arte é uma ação de preservação da memória, das lembranças, das reminiscências e dos valores. A arte é uma ação de amor, que ao contrário das coisas humanas, é durável e permanente.
Paulo Gomes
2006