Miriam Tolpolar

A arte jovem é verde. Pode não ser madura, mas revelar a verdade sobre o talento. A fatura, a síntese e a espontaneidade posterior. Há uma ternura de guria na pintura ou na litografia de Miriam Tolpolar. Climática, entretanto, que paradoxalmente se casa com o diabólico. Algo quimérico. Matrimônio de duendes. Do mundo surrealista do filme "A Bela e a Fera" na versão de Jean Cocteau. Recordamos daquele bicho cabeludo, meio bonachão, surreal, contrastando com a jovem de pele cristalina. Quasímodo enternecido ante a presença da cigana Esmeralda. Deveras aterrador e meigo. Muitas vezes expressionista. Outras vezes doce como as nuas ninfetas de Renoir. Esses gatos em "performance felina", esses simbólicos mefistófoles, de rubro coração no peito, num dualismo associado ao sentimento do "bem e do mal". Tudo bordado em painel gráfico e com sensualidade de enrubescer. Espumando enorme carinho, transcendente no colorido do mistério vital. Mensagem de amor. De postura irreverente. Anulando o decorativo pelo conteúdo enigmático. Através do panorama de Miriam, deslumbramos sensibilidade e efetividade de seu meigo talento. Já transparente o grande pulo para a vitória final.

Sinto. Não sei mais o que dizer... Olhemos então para sua pintura. Sensibilíssima nos conduzirá ao esperanto emotivo que só a magia da arte oferta.

Mais textos

Danúbio Gonçalves
1990